🏙️ Maguezi a Cidade de Luz ▸
“Onde a Luz Canta” — na língua dos Sábios.
O que se conta A cidade sem muralhas, sem exércitos e sem temor. Invisível aos corações dominados pelo egoísmo: o caminho só se revela aos que buscam a paz e a harmonia. Fundada sobre o sonho de um régulo, erguida pelo esforço de todos, governada pelo bem, geração após geração.
O que fica por contar Onde fica de verdade. Os mais velhos apenas sorriem quando alguém pergunta.
Aparece em: todas as crónicas · a Biblioteca
🏛️ A Grande Praça e o Emblema de Luz o coração da cidade ▸
“Um poste imenso, tão alto que parecia tocar o céu.”
O que se conta No centro daquela terra ergue-se a praça, e nela o poste — colocado exactamente sobre a presença sagrada da Árvore, visível mesmo de muito longe. Ali se reúnem o povo, as festas, o Hoyohoyo — e os alertas. Foi diante dele que Tsembissa levou a sua palavra à cidade.
O que fica por contar Como foi erguido. Quais mãos, quais cordas, quantas eras.
A Pedra de Luz também chamada Pedra da Aurora ▸
“De dia, a pedra dorme serena; mas, ao cair da noite, incendeia-se.”
O que se conta A pedra mágica no cimo do poste — símbolo da luz e da alegria de Maguezi. Foi ela que ocultou para sempre, nas entranhas da Mãe-Terra, as armas do exército vencido pelo amor. Apagou-se quando a nuvem negra desceu sobre a cidade — e reacendeu no dia em que a verdade foi dita. Em outra memória de Maguezi, ela é chamada Pedra da Aurora: das suas terras foi colhido o metal das lâminas da Mbira de Yehlisa. Quando o Som do Princípio despertou, a pedra reacendeu no coração da cidade, enquanto o brilho do ouro e dos diamantes passou a reflectir algo maior.
O que fica por contar De onde veio. Há quem diga que caiu do céu; há quem diga que a cidade é que nasceu à volta dela. E que outras coisas poderão ainda dormir ali, à espera de mãos puras.
🌲 A Floresta Encantada a guardiã ▸
“Raios de luz atravessavam folhas e ramos, despertando memórias adormecidas.”
O que se conta A floresta que guardava Maguezi. Não ergueu muralhas nem armas contra os invasores — apenas deixou que a sua beleza recordasse aos soldados o que o treino militar julgara enterrado. O seu canto era feito de aves de cores nunca vistas e criaturas julgadas extintas.
O que fica por contar Se a floresta escolhe a quem revelar o caminho — ou se apenas testemunha.
Aparece em: Livro II
🌿 A Casa de Palha Verde a que não seca ▸
“Mantém-se verde porque é sempre renovada.”
O que se conta Uma casa que nenhuma tempestade abalou, onde os pássaros pousam sem medo. Oculta por encanto: aos não convidados, parece apenas uma cabana humilde e sem importância. Dentro dela, o tempo segue outro ritmo — e uma janela de pura luz abre-se, às vezes, para terras distantes.
O que fica por contar Se o feitiço que a guarda é magia antiga — ou apenas o cuidado de cada dia. Talvez os mais velhos não saibam a diferença.
Aparece em: Livro IV
⛰️ As Colinas e o Rio o lugar onde o Som permaneceu ▸
“Onde o vento ainda guardava o nome das estrelas.”
O que se conta O refúgio de Yehlisa ao sexto dia de silêncio. Ajoelhou-se junto ao rio imóvel — e a Terra respondeu num murmúrio que mudou tudo: “O som não se perdeu; deixou apenas de ser ouvido.”
O que fica por contar Os outros nomes que o vento guarda.
Aparece em: Livro III
🌊 As Terras de Inhambane onde a memória permanece ▸
“Tão viva é a terra debaixo dos nossos pés.”
O que se conta Nas terras abençoadas de Inhambane vivia um régulo outrora guerreiro, agora dedicado à família e à formação dos seus três filhos. Ali, entre festas, tradições e ensinamentos sobre a dignidade humana, antigas memórias de Maguezi continuavam a sobreviver através das gerações.
O que fica por contar O que a terra ainda guarda daqueles que passaram por ela.
Aparece em: Livro IV