Yehlisa
“Paz e Harmonia na Natureza”. Filha dos oleiros Cundira e guardiã da Mbira sagrada. Aquela que atravessou o silêncio de Maguezi para recordar ao mundo que a verdadeira música dorme no peito de cada ser.
Livro III · Volume 1
Ela não toca a Mbira. Ela é a própria música.
Nas primeiras eras, Maguezi era conhecida como Onde a Luz Canta. Entre bosques de figueiras vivia Yehlisa, guardiã de uma Mbira sagrada onde repousava o eco do Primeiro Som.
Mas, das fronteiras do silêncio, ergue-se Ku-ngatwani, o Espírito da Desarmonia, semeando as quatro Ferras: o Ego, o Medo, o Apego e a Distração. Quando marcham sobre a cidade, o vento cessa e, pela primeira vez, a Mbira silencia.
Para curar a cidade, Yehlisa terá de ir além das notas musicais — descobrindo que a harmonia não se impõe, resgata-se de dentro.
Uma história sobre música, harmonia e o Som Original.
Cada crónica de Maguezi funciona em três níveis, ao mesmo tempo. Escolhe a tua porta — ou atravessa as três.
Yehlisa, filha dos oleiros Cundira, guarda uma Mbira onde repousa o eco do Primeiro Som. Mas, quando a desarmonia se aproxima, o vento perde o ritmo, a música silencia e Maguezi começa a esquecer aquilo que a mantinha unida. Refugiada nas colinas, Yehlisa escuta a Mãe-Terra e descobre que o Som do Princípio não morreu. Apenas deixou de ser ouvido.
Lê esta crónica como quem se senta à volta da fogueira para ouvir uma antiga história sobre uma jovem, uma Mbira e o regresso à harmonia.
A Mbira é o instrumento-ponte — o coração do universo pulsando em metal e madeira. Nela, o Vento, a Luz e a Água deixam de ser forças mudas e revelam-se entidades conscientes que respondem ao ritmo. A desarmonia de Maguezi começa quando os seres deixam de escutar essa teia viva, corporificada nas quatro Ferras: o Ego separa, o Medo fecha o coração, o Apego prende às aparências e a Distração afasta do essencial.
Yehlisa — a própria vibração da paz — não traz uma música nova; ela recorda o Som Original. A sua melodia liberta sem dominar, dissolve sem destruir e cura sem se impor, fazendo com que até as Ferras se curvem em reverência à luz que já habitava no interior.
Perguntas para levar contigo, à volta da fogueira:
Os mais velhos apenas sussurram: quando o vento cantar, é porque alguém voltou a escutar.
“Paz e Harmonia na Natureza”. Filha dos oleiros Cundira e guardiã da Mbira sagrada. Aquela que atravessou o silêncio de Maguezi para recordar ao mundo que a verdadeira música dorme no peito de cada ser.
Mestres da argila e do fogo, conhecidos por moldar o barro como quem escreve orações sobre a terra. Foi entre eles que cresceu Yehlisa.
O Espírito da Desarmonia e Agente da Separação. Não traz corpo nem fogo, mas um sopro capaz de corromper o pensamento e semear a discórdia.
Ego, Medo, Apego e Distração — forças da desarmonia que separam, assustam, prendem os corações às aparências e desviam o olhar do essencial.
O lugar onde Yehlisa se refugiou no sexto dia, procurando no vento que guardava o nome das estrelas uma resposta para o silêncio de Maguezi.
🌊O rio que deixou de correr quando o Som se calou. Foi junto às suas águas imóveis que Yehlisa clamou à Mãe-Terra.
💎A pedra cuja luz reacendeu no coração de Maguezi quando o Som do Princípio despertou. Das suas terras foi colhido o metal das lâminas da Mbira de Yehlisa.
As gravações estão a nascer.
Em breve, cada crónica poderá ser ouvida — narrada, à maneira antiga, como se conta junto à fogueira.
Queres ser dos primeiros a ouvir? associacaomaguezi@gmail.com
Escrevemos esta crónica a partir de uma preocupação urgente com o tempo presente. Como seria se todos conhecessem o significado sagrado do som, da vibração e da frequência?
Hoje, vivemos a profecia do ruído. O som é vendido como mercadoria e a frequência é distorcida pelo excesso. As vozes externas gritam cada vez mais alto, enquanto a voz interior, aquela que não precisa de gritar, vai sendo esquecida. Procuramos saídas fora para problemas que só se atravessam por dentro, esquecendo a porta e a canção.
As quatro Ferras — o Ego, o Medo, o Apego e a Distração — habitam esse mesmo ruído contemporâneo. E chamámos Yehlisa à nossa maneira de lembrar que a cura não virá de novas notas impostas de fora, mas do despertar do Som Original, que permanece guardado, intacto e à espera, no coração de cada ser.
— Chamba & Macie · Maputo
Esta crónica já pode ser lida em formato digital e, em breve, poderá também ser ouvida. A edição impressa do Volume 1 está a caminho do papel. Se quiseres acompanhar esse caminho — ou ajudar a aproximar o livro das mãos dos leitores — entra na caminhada →
“Nada brilha por si mesmo.A lição dos anciãos · Livro III
Tudo o que existe apenas reflete o que o coração emite.”